Observação, Consciência e Inspiração

Posted by guia On dezembro - 19 - 2007

“… aprender a olhar com maior atenção para as cenas de todos os dias dependerá de um esforço voluntário, porém, com a prática, deverá transformar-se em um hábito mecânico…”. Michael Busselle

Todo Designer tem uma ferramenta básica e individual: a Inspiração. O corpo da Inspiração tem como seus olhos a Observação e como pernas ou asas a Consciência.

E quando se diz isso não é uma afirmação de opinião individual. Autores consagrados, como Michael Busselle, em seu livro “Tudo sobre Fotografia” nos alerta em seu primeiro capítulo sobre o básico e primordial para estudar esta matéria: a Consciência. Citação do livro: “… aprender a olhar com maior atenção para as cenas de todos os dias dependerá de um esforço voluntário, porém, com a prática, deverá transformar-se em um hábito mecânico…”.

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Também Robin Williams em seu livro “Design para quem não é Designer” dá a noção ideal de até onde vão as consequências do uso consciente da observação para entender o próprio Design elaborado. Citação do livro: “… o fato de podermos dar nome a algo significa que estamos conscientes desse algo… temos poder sobre ele… nós o possuímos e estamos no comando.” (citando o fato de que nunca havia observado uma determinada árvore em sua própria casa e que, quando percebeu que ela existia, pensou que aquela árvore fosse única por ser bem diferente do normal (árvore Iuca). Porém, depois, observou que em 80% das casas vizinhas à sua existia esta mesma árvore em seus jardins).

A Inspiração sem Consciência é cega. A Consciência sem Observação é manca. Então, amplificando o potencial da Inspiração chegamos à Observação. Sendo a Observação então a ferramenta primordial da Consciência para direcionar a Inspiração.

Vejamos um exemplo. Um pintor somente inspirado poderá pintar quadros maravilhosos de uma forma tão intuitiva que estará utilizando os mais diversos recursos de luz, formas, cores, contrastes, porém, poderá estar utilizando tudo isso sem entendê-los. Da mesma forma, um pintor cheio de técnica poderá não atingir o mesmo potencial de um pintor inspirado, por se prender demais à técnica, pintará quadros com uma técnica perfeita, mas desprovidos da criatividade e inovação advinda da Inspiração. É óbvio que do equilíbrio entre técnica e intuição nasce a Consciência do Designer.

É um tema espinhoso e bastante batido, mas não pode ser negado, como já citado, grandes autores da área tocam neste ponto.

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Então, pode-se afirmar, como conclusão para este post, que a Inspiração é dependente da capacidade de Observação para que nasce da Consciência, através do uso das ferramentas de Design.

No Design atual, destaca-se aquele que supera todas as espectativas do Observador, e a capacidade de Observação do leigo está se amplificando cada vez mais. Não observar esta matéria deste ponto de vista torna o profissional totalmente afastado da realidade de mercado, pois o próprio leigo já está se habituando a estes temas. E o grande diferencial de um Designer é estar um passo a frente de seu tempo e saber transformar isto em ação.

Como conclusão, cito Apologia de Sócrates para entendermos a extensão do Design e do equilíbrio:

“Por fim, também fui aos artífices, porque estava persuadido de que por assim dizer nada sabiam, e, ao contrário, tenho que dizer que os achei instruídos em muitas e belas coisas. Em verdade, nisso me enganei: eles, de fato sabiam aquilo que eu não sabia e eram muito mais sábios do que eu. Mas, cidadãos atenienses, parece-me que também os artífices tinham o mesmo defeito dos poetas: pelo fato de exercitar bem a própria arte, cada um pretendia ser sapientíssimo também nas outras coisas de maior importância, e esse erro obscurecia o seu saber.

Assim, eu ia interrogando a mim mesmo, a respeito do que disse o oráculo, se devia mesmo permanecer como sou, nem sábio da sua sabedoria, nem ignorante da sua ignorância, ou ter ambas as coisas, como eles o tem.
Em verdade, respondo a mim e ao oráculo que me convém ficar como sou.”

Se o Designer souber desenvolver sua capacidade de Observação, irá muito mais longe neste caminho e por suas próprias pernas. Porém, sempre na sábia afirmação de ser um eterno aprendiz, sempre encontrando-se no ponto “zero” da auto-afirmação fará o Designer sempre continuar aprendendo e amplificará sua Observação.

Este sentimento de “achar que sabe” turva a Observação, a Consciência e a Inspiração. Com a conquista de resultados pelo saber usar estas ferramentas nasce o sentimento de “muito saber”.

Ninguém sabe tudo e este sentimento é o pior inimigo da Inspiração do Designer.

Abraço e até a próxima.

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2 Responses to “Observação, Consciência e Inspiração”

  1. Cata disse:

    Gostei dessa matéria!
    Bjim.

    Cata

  2. JohnLBA disse:

    It’s very good article.

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