Cores

O papel em seu estado original é branco, quando ele recebe cor, ele está perdendo luz. O monitor em seu estado original é negro, quando ligamos ele, as cores aparecem por adição de luz. São caminhos contrários, esta é uma das justificativas da dificuldade de acertar cores entre monitor e papel impresso.

Antes de darmos continuidade no estudo das formas, vamos observar o empolgante mundo das cores. Não é só pela variedade, nuances, gama, diversidade ou complexidade que as cores se destacam. A teoria das cores também é fabulosa e nos ajuda muito a entender diversos pontos do Design.

Vamos ao básico e fundamental disco de cores:

Neste simples disco de cores podemos ver somente as cores primarias e secundárias, observando a direção da luz para as trevas, ou sombras, ou seja, pela decomposição da luz. Vamos aprofundar: são primárias (ciano ou azul céu, amarelo e magenta) porque estão mais próximas da luz e são secundárias (verde, vermelho e azul) porque estão mais próximas dos tons escuros. As cores secundárias estão mais próximas de perder toda a luz. As cores primárias estão mais próximas de se tornarem luz. Isto explica o fenômeno de porque em uma cópia preto e branco (xerox), o amarelo não aparece (está muito próximo do branco, sobre papel branco, se torna branco) e o vermelho fica preto (está próximo do negro, sobre papel branco se torna negro).

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Observe no disco de cores que de um lado está a cor primária e no seu oposto a secundária. Por matemática, ciência e química, elas são cores contrárias. Isto nos permite afirmar que, por exemplo, o azul blue secundário é contrário ao amarelo primário, porque o que um tem o outro não tem. Desta forma se as cores forem encaixadas aparecerá ou branco ou negro, que não são cores.

Se for sobre um papel, estamos perdendo luz, então aparecerá o negro, aparecerá as trevas. No caso do papel, as cores são adicionadas e compostas pelo sistema CMY, adição das cores primárias para formar as secundárias e todas as outras. O K ou black do sistema CMYK é adicionado para dar qualidade à composição, porque uma mistura CMY pura não dá boas nuances de claro e escuro e também não dá um preto de qualidade.

Analisando uma folha de papel em seu estado normal é branca, ou seja, a luz é 100%, neste caso, se aplicarmos cores nesta folha de papel estaremos perdendo luz. Por isto que o sistema de composição de cores de gráfica é baseado nas cores primárias ciano, amarelo e magenta, com a adição do Black (K = preto), porque uma mistura de CMY pura não dá boas nuances de claro e escuro, nem um preto de qualidade. O sistema CMYK adiciona o preto para realizar uma composição de cores com qualidade.

Se for um monitor, seu estado desligado é negro, então iremos ligá-lo e o tubo de imagem ou células do LCD provocarão a adição de luz e as cores surgirão, primeiro as secundárias (RGB), por este motivo os monitores são calibrados pelo sistema RGB e não pelas cores primárias. A partir da decomposição da cor secundária (vermelho), ou seja, mais adição de luz sobre ele, ela se decompõe em cores primárias (magenta ou amarelo conforme intensidade da luz). Mesma coisa no caso do verde, conforme a intensidade de adição de luz do tubo de imagem, ele se decompõe em amarelo ou azul céu e assim por diante. Assim as cores secundárias nunca serão opostas porque elas tem sempre uma cor primária em comum (vermelho tem amarelo e magenta, verde tem amarelo e cian, blue tem cian e magenta), porém em cada uma delas sempre falta uma cor primária.

São processos contrários mas totalmente inseridos em nosso dia à dia. O monitor, partindo da adição de luz e o papel, formando as cores pela perda da luz.

E se misturarmos quimicamente duas cores opostas? Curiosamente, por mistura química de tinta, os contrários sempre resultarão na cor marrom. Entenda-se mistura química quando você pegar duas latas de tintas opostas e mistura numa mesma lata, agitando até as moléculas se mesclarem totalmente. Sempre aparecerá o marrom, neste caso, desde que as cores sejam exatamente opostas (magenta com verde, vermelho com cian, azul blue com amarelo).

O que há de interessante nisso tudo? Talvez já tenham percebido o espírito da coisa. O segredo das cores está na luz refletida sobre os objetos. Vamos a outro exemplo clássico, fazendo-nos uma pergunta. Por que percebemos um tom amarelo, por exemplo?

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Este é o famoso “prisma”. Quando um raio de luz é projetado através de um prisma, este faz com que ele se amplifique e mostre sua verdadeira forma, ou seja, como um arco-íris, porque um raio de luz é composto por todas as cores concentradas em um único feixe. A concentração de cores em um feixe energético faz com que a luz brilhe na cor branca; ao invés de vermos cores, veremos luz. Porém é errado dizer “a cor branca”, correto é dizer a luz apareceu.

Mas há uma questão bastante interessante diante da formação das cores. E quando tudo fica totalmente escuro, não existe cor?

Mesmo no negro absoluto há cores. E prova disso são os animais noturnos. Eles vêem as cores no escuro porque sua visão está preparada para esta gama de cores, ou seja, ocorre uma adaptação em sua visão para que possam ver as cores. Podemos dizer que seus olhos tem a capacidade de ver a quase inexistente luz que está nas trevas. Quase inexistente porque somos incapazes de perceber esta luz. Mas para a visão de um animal destes pode ser muita luz.

O branco reflete e o negro absorve. Este fenômeno provoca a ausÊncia ou o aparecimento das cores.

O que ocorre de diferente entre preto e branco? Há objetos que refletem luz e outros que absorvem luz. O branco reflete e o negro absorve. Este fenômeno provoca a ausência ou o aparecimento das cores. Pelo fato do negro absorver cores não significa que ele não às tenha, elas estão ali, absorvidas. Assim como o branco, que reflete uma cor em específico, não significa que não tenha as outras, elas estão ali, não refletidas. Tudo dependerá da capacidade de visão do observador.

Indiferente das cores aparecerem por adição ou ausência de luz, será o observador que será capaz de identificá-las ou não. Se sua “lente biológica” está preparada para ver cores, e até quais cores é capaz de processar, pois existem cores não identificadas até mesmo para a melhor das visões.

Então, grande parte do segredo das cores está na “lente biológica” de quem observa. Esta é uma questão interessante e dentro destas diferenças de qualidade de visão, podemos afirmar que nenhuma pessoa vê as cores da mesma forma, há variações de acordo com o desgaste ou não da visão, ou até mesmo problemas de saúde como o daltonismo, que é ver algumas cores em tons de cinza.

DaltonismoDestacando o daltonismo para entendermos bem as cores com um exemplo prático, o daltônico não consegue distinguir algumas cores das outras, sendo mais comum não distinguir vermelho do verde (cores opostas, por sinal). Veja a imagem ao lado, se você identificar que número está dentro dela, você não é daltonico. Existem vários graus de daltonismo e daltônicos que distiguem umas cores e outras não e outros que não distinguem nenhuma.

Explicando o que ocorre no olho, “os portadores do gene anômalo apresentam dificuldade na percepção de determinadas cores primárias, que compoem o verde e o vermelho, o que se repercute na percepção das restantes cores do espectro. Esta perturbação é causada por ausência ou menor número de alguns tipos de cones ou por uma perda de função parcial ou total destes, normalmente associada à diminuição de pigmento nos fotoreceptores que deixam de ser capazes de processar diferencialmente a informação luminosa de cor” (Wikipédia).

Neste caso podemos dizer que os fotoreceptores de um daltônico acabam absorvendo a luz de certas cores, fazendo a cor desaparecer, que nos olhos de uma pessoa normal são refletidas e processadas. Porém um daltônico nunca deixa de ver preto, branco ou tons de cinza. Com isto podemos afirmar com uma prova que preto, branco e cinza nao são cores. São ausência ou adição de luz, que um daltônico é capaz de ver.

Desta forma podemos entender bem que a formação das cores depende do observador e de sua capacidade de visão. Originalmente o mundo é preto e branco, mas é a química biológica que percebe as nuances da luz e trevas. Já há estudos sobre visão de pássaros, que eles são capazes de enxergar muito mais cores que nós humanos. De forma figurativa, podemos dizer que vemos o mundo porque temos uma lente capaz de processar cores. Esta lente pode mudar conforme cada pessoa (daltônica ou não), animal (noturno ou diurno).

Isto nos capacita afirmar que existem milhões de cores que não somos capazes de processar, que estão ao nosso redor diariamente. O que nos falta é a lente adequada para observá-las. Usando o vulgo popular, que não tem valor científico, mas ilustra bem a questão, a psique também parece influenciar na capacidade biológica de um observador, como é o caso de quando se diz popularmente: “fulano está vendo tudo azul de tão calmo”, “sicrano só vê vermelho de tão irado que está”, “beltrano está vendo tudo rosa porque está amando”.

Ainda num exemplo popular, há quem diga que as mulheres vêem muitas nuances de cores, por isso dão tantos nomes para um mesmo azul (bebê, marinho, claro, celeste, escuro, esmeralda, turquesa, etc). Estamos querendo aqui elogiar a capacidade das mulheres em destacar tantas cores. Um homem que esteja na área de Design também terá esta percepção, é óbvio, pois observação é um exercício a ser desenvolvido com constância, tanto por homens quanto por mulheres.

No caso de nossa pergunta, ainda lembra qual? Por que percebemos um tom específico de amarelo? Porque a luz que incidiu sobre o objeto foi absorvida em todas as outras cores e somente o amarelo foi refletido. Em outras palavras, o objeto “absorveu” todas as outras cores e refletiu o amarelo.

Então vemos a radiação do tom amarelo, promovida pela luz que incidiu sobre o objeto.
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Mas por que o objeto é capaz de absorver as outras cores da luz? Essa é uma pergunta mais profunda. No caso, podemos dizer que a vibração das moléculas da superfície do objeto fazem com que a luz seja absorvida de forma diferenciada, aparecendo assim as cores. Mas e no caso das vistas “doentes”, como o daltonismo ou outros casos em que o individuo tem dificuldade de diferenciar um azul de um verde? Isto se deve a que a capacidade de ver cores depende do observador. De qualquer forma a percepção de cores ocorre e o tom de cinza que um dautônico vê para um amarelo específico é sempre o mesmo. Ou seja, na lente do daltônico, o amarelo é cinza e para um pássaro pode haver outras cores que não vemos. Isto por causa da lente biológica individual que cada observador tem para “ver a luz”que reflete dos objetos.

A luz para apresentar cores perfeitas é medida pela sua temperatura em unidade kelvin, que é comparada com a luz do sol em um dia normal.

Para podermos dizer que um objeto é amarelo, basta todos vermos a mesma cor. Isto não é convenção, é fato. Todos temos a mesma “lente biológica”. Mas para dizermos que um amarelo é perfeito e igual em todas as visões? Isto já depende do nosso ponto de referencial para manter uma convenção. Ou seja, medir a luz e dizer que um amarelo é perfeito de acordo com alguma escala matemática de medição da luz. No caso esta escala existe.

A luz para apresentar cores perfeitas é medida pela sua temperatura em unidade kelvin, que é comparada com a luz do sol em um dia normal. No caso 5000K (kelvin), ou seja, se você for montar um estúdio para observar cores corretamente, para tirar fotos, para ver provas de cores, sempre escolha lâmpadas com temperatura de luz 5000K. Claro que a qualidade de fabricação e durabilidade entram aqui para diferenciar uma marca de outra, mas, por convenção esta é a intensidade de luz que exibe corres corretamente. Vá também ao oculista periodicamente, para ver se seus olhos não estão cansados ou necessitando óculos.

Daremos seqüência nesta linha de estudo das cores para compreendermos melhor este mundo. Este é só o começo. Até mais!

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5 Comentários em “Cores”

  • Danielle julho 8th, 2009 %H:%M 10Wed, 08 Jul 2009 10:15:05 +000005.

    Eu tava na aula de artes la na escola e perguntei a professora se preto e vermelho ficava marrom ela me disse q tava errado, mais eu pinto a anos e sei q preto e vermelho é marrom e ela me disse q é verde e vermelho, dai eu fiz isso e ficou uma cor super estranha, pode uma coisa dessa?

  • guia julho 10th, 2009 %H:%M 11Fri, 10 Jul 2009 11:33:22 +000022.

    Olá Danielle.
    Cientificamente, o correto é magenta e verde se somarem para dar marrom, ou mesmo qualquer cor que seja oposta, como laranja e azul “jeans” ou azul céu e amarelo. Sempre uma cor primária com uma cor secundária opostas. O que acontece é que as cores atualmente não são fabricadas quimicamente corretas, sendo assim, a marca que você usa, fica muito mais fácil fazer marron com preto e vermelho, pois entra em jogo a química da marca que você utiliza. Assim como na época que eu fazia artes, não conseguia verde misturando amarelo e azul de uma marca de tinta acrílica, ou laranja de amarelho e magenta. Então, as melhores marcas de tintas são aquelas que simulam a realidade, não deixando que sua química distorça o aparecimento das cores. Como estou afastado atualmente de tintas, não sei te dizer qual a melhor marca que da mistura de duas cores opostas dê marrom, o que estaria correto. Talvez pesquisando você ache uma marca que trabalhe corretamente. E lembre-se, neste caso temos uma dimensão a mais, a química. Abraço!

  • Paulo julho 29th, 2009 %H:%M 09Wed, 29 Jul 2009 09:13:09 +000009.

    quero fazer uma pergunta que cor da marrom fale alguns deles por favor espero resutado tchau

  • Camila novembro 3rd, 2010 %H:%M 08Wed, 03 Nov 2010 20:59:08 +000008.

    Oi.Eu queria saber quando o verde é refletida por uma cor azul,vermelha,amarela,magenta e ciano daria na maioria a cor preta!Espero o resultado,obrigada.

  • guia novembro 15th, 2010 %H:%M 04Mon, 15 Nov 2010 16:55:33 +000033.

    @Camila, Se entendi sua pergunta, as cores são reflações da luz. Assim, o verde aparece porque a luz foi refletida neste tom, consequentemente, as outras cores foram absorvidas. Quando vemos um objeto preto, as cores foram todas absorvidas, por este motivo, um objeto preto é mais quente que um branco, porque no branco toda a luz foi refletida. E sim, quando as cores são absorvidas surge o preto.

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